quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Livro mais caro do mundo - 100.000 Euros

Pois é, o livro mais caro do mundo custa €100.000,00. Dinheiro pra cacete!

A notícia tá no Globo Online. Quem quiser ler, aqui vai o link.

Muito legal.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Rex Deus - Parte 1

A princípio achei que não fosse falar desse livro, não que ele não seja bom, muito pelo contrário. A questão é que o assunto é muito delicado, o livro trata de uma suposta linhagem de descendentes dos sumos sacerdotes do Templo de Israel. Famílias que hoje vivem em sua maioria na Europa e que trazem, de geração em geração a verdadeira história da Israel bíblica.

Até ai nada demais . Principalmente se pensarmos que, se os senhores do templo tiveram filhos, muito provavelmente seus descendentes ainda estão por ai. A questão é que a história destas famílias envolve assuntos obscuros que me fascinam: cavaleiros templários, maçonaria, santo graal, o casamento de Jesus com Maria Madalena, etc.

O livro é sério e os argumentos são bem fortes. Aconselho a todos que gostem destes assuntos e que um dia já se questionaram sobre as origens do cristianismo e principalmente da Igreja Católica. Não sou contra a Igreja, muito pelo contrário, fui criado em familia católica mas sempre fui muito questionador. Já quis ser padre mas acabei optando por sair da igreja sem prazo para retorno. Hoje acho que não tenho religião, leio muitas coisas e critico todas as coisas que leio.

Daí achar o livro muito bom, a linha de pesquisa dos autores e a forma como a coisa é contada revela algumas respostas que podem satisfazer as mentes que não acreditam na história como a Igreja conta. Cabe ressaltar que o livro não ataca em momento nenhum a figura de Jesus, apenas dá uma nova versão para uma história que é muito mal contada.

Não sei se volto a escrever sobre o REX DEUS, mas sem dúvida volto a ler... pela terceira vez.

Abraços.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

1968: O Ano que não terminou

Hoje não vou falar do livro que estou lendo. Não que não esteja gostando, na verdade estou relendo Rex DEUS já que não é o tipo de livro que se lê uma vez só.

Resolvi falar de 1968: O Ano que não terminou, de Zuenir Ventura. O livro é do cacete!!! Uma aula de história das boas. Começa no reveillon de 1967/1968 e termina no reveillon seguinte, e trata dos principais acontecimentos e enfrentamentos entre movimentos culturais e estudantis contra a ditadura. É o tipo de livro que acho que deveria ser usado quando estamos no segundo grau. Por que não discutir os temas das aulas de literatura em cima de um livro que narra tão bem um período obscuro da história do Brasil? Recomendo a todos.

Neste livro, a parte que mais me marcou é a que trata da morte, enterro e a missa de sétimo dia do estudante Édson Luis Lima Souto.

Tudo começou durante um enfrentamento comum entre os estudantes e a PM, que naquela época era realmente uma Polícia Militar. Aconteceu no antigo restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, que nada mais era do que um "bandejão" estudantil. Como ocorria todos os dias, os estudantes preparavam-se para mais uma manifestação quando a PM chegou, pois acreditava que naquele dia os estudantes iriam apadrejar a embaixada americana. Durante o enfrentamento tiros foram dados e um tiro acertou o peito do estudante, matando-o na hora.

Logo depois de baleado, o estudante foi levado à Santa Casa de Misericórdia para evitar que a polícia sequestrasse o corpo (ainda hoje, se não existe corpo, não existe assassinato). Ao se comprovar a morte do rapaz, os estudantes ergueram o cadáver e seguiram até a Assembléia Estadual usando-o como aríete. Aqui cabe a transcrição do que foi dito por Elinor Brito, Presidente da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço - FUEC:

- Eles queriam tomar o corpo da gente e impedir a entrada na assembléia. A gente disse: "Tá morto, a gente bate com a cabeça do Édson na barriga dos policiais e eles vão recuando." E eles foram dando pra trás.

Ao entrarem na Assembléia, a sessão que ocorria foi interrompida e os 55 deputados foram para o saguão da casa. Ao lá chegarem o então deputado Jamil Haddad, que era médico, tomou a frente da situação e comprovou a morte do estudante. Tentou-se então levar o corpo para o IML mas os estudantes negaram dizendo que se levassem o corpo não trariam de volta. Com base no argumento de que o ex-presidente Getúlio Vargas foi autopsiado fora do IML, o estudante foi autopsiado na Assembléia Legislativa e de lá, como queriam os estudantes, seguiu na tarde do dia seguinte para o cemitério São João Batista, em Botafogo.

A narrativa do cortejo funebre e do enterro são de arrepiar. A medida que ia anoitecendo, faltou luz nos bairros por onde o cortejo passou (aproximadamente seis quilômetros). A população então, começou a descer dos prédios e oferecer aos estudantes velas e lanternas. Milhares de pessoas acompanharam o cortejo junto a artistas e toda a imprensa do Rio. Os jornais do dia seguinte diziam que foi a maior homenagem póstuma desde Getúlio Vargas. Esta morte é tratada no livro como o divisor de águas num processo que culminou com a passeata dos cem mil, três meses depois.

Pra se ter uma idéia, o livro coloca que nos círculos políticos e militares já se dava como certa, por conta das consequencias da morte do estudante, a publicação de um novo ato institucional muito mais duro que os anteriores. Surgia neste momento o rascunho do AI-5, como Zuenir Ventura diz, "O golpe dentro do golpe".

Na véspera da missa de sétimo dia do estudante, uma chuva de comunicados surgia no Rio. Os militares diziam que os "inimigos da pátria" planejavam para depois da missa novas operações com o intuito de criar novos mártires e que por conta disso a população do Rio deveria proibir seus filhos de ir as ruas. Os estudantes por sua vez, através de FUEC, UNE, UME e outras uniões estudantis, lembravam a bravura do povo vietnamita que ia vencendo a luta contra os americanos. O clima era pesado.

Durante a missa na Candelária, o exército cercou a igreja, que era lotada por mais de seicentas pessoas, e como o autor coloca "...muitos enxugavam os olhos com lenços. " E quando você pensa: Comoção!, ele completa: "Imperceptíveis nuvens de gás lacrimogêneo haviam penetrado pelas frestas das portas e janelas durante a cerimônia". As Igreja da Candelária estava cercada pela Cavalaria do Exército, Fuzileiros Navais e pelo pessoal do DOPS, num contingente que somava cerca de dois mil soldados, além de quatro aviões da FAB, que sobrevoavam o local. Não tinha jeito, ia dar merda....

Por iniciativa dos padres que realizaram a missa, e com o intuito de evitar um massacre, uma procissão foi organizada. Cercados pelos cerca de quinze padres, o povo começou a sair da igreja em direção à Av. Rio Branco. No momento em que a procissão chegou ao cruzamento da Av. Presidente Vargas com Av. Rio Braco, deu de cara com a cavalaria e ouviu então a ordem de seu comandante: "Desembainhar !" (pra quem não sabe, a cavalaria da PM usava sabres como arma de controle de multidões e ainda hoje usa em datas especiais).

Pensei em parar por aqui pra tentar forçar os que leêm este post a ler o livro, mas isso é sacanagem..... Bom, ao dar de cara com a cavalaria, os padres ergueram os braços e disseram aos PMs que aquilo não era uma passeata. Daí, veio então a ordem do comandante de dispersar, mas com a condição de que as pessoas seguissem pelas calçadas e não pelas ruas, o que acabou acontecendo. É claro que houveram alguns casos de cavaleiros deitando o sarrafo nas pessoas que voltavam pra casa em outros pontos do centro, mas pelo menos alí, o pior não aconteceu.

Esta parte do livro é escrita em dois ou três capítulos, o livro todo é fantástico. Gosto muito deste trecho pela emoção que carrega. Fica aqui a dica, 1968: O Ano que não terminou é uma aula de história brasileira das melhores que se pode ter.

Pra quem quiser ler mais sobre a morte do estudante, clique aqui.

Abraços.